A ginga do brasileiro




Gostaria de contar para vocês uma história, que não é minha e não sei (mais) de quem é a autoria. Não me agrada o fundo violento dessa história, mas gosto da mensagem ainda assim nela contida.

Li essa história quando ainda estava na escola, se não me engano, na quinta série, e a escrevo do meu jeito, com base no que tenho na memória. Pois bem, é a história de um bar, que era frequentado por homens de todos os países do mundo.

Certo dia, todos estavam lá, bebendo, conversando e se divertindo, quando entrou um homem desconhecido, que ninguém sabia de onde vinha. Era um forasteiro musculoso, de mais de dois metros de altura, que mais parecia um guarda-roupa de tão largo. Ele foi direto para o balcão, bebeu uma garrafa de cachaça como quem bebe uma limonada. Em seguida, voltou-se para os demais e disse:

<<Aqui ninguém é mais homem do que eu! Ou alguém discorda?>>

Um americano fortão, jogador de basquete e também com mais de dois metros de altura, se sentiu desafiado, levantou-se, disse que discordava e caminhou para o forasteiro, mas tomou logo um tapa e saiu voando pelo bar, caindo num canto e desmaiando.

O forasteiro, orgulhoso de sua vitória, bateu no peito como um gorila e repetiu:

<<Aqui ninguém é mais homem do que eu! Tem mais alguém que discorda?>>

O alemão, um verdadeiro exemplar germânico de dois metros de altura, que também não gostou nada de tamanha prepotência, levantou-se, caminhou para ele e, antes de dizer alguma coisa, levou também um tapa, caiu em cima de uma mesa, que quebrou com seu peso e desmoronou para o chão juntamente com o alemão desmaiado.

A cena foi se repetindo, com um norueguês enorme apanhando e desmaiando, depois um chinês lutador de kung fu, um russo que era acostumado a lutar com ursos na Sibéria, um toureiro espanhol, um australiano que, em seu país, caçava crocodilos com as mãos, um nigeriano gigantesco, um canadense arremessador de peso, um inglês lutador de boxe e muitos, muitos outros. Aos poucos, homens fortes do mundo inteiro foram caindo depois de levar um tapa daquele sujeito tão forte que por ali aparecera.

Achando que não havia sobrado mais ninguém para apanhar, o forasteiro pagou a conta e começou a se preparar para ir embora. Foi quando então escutou alguém falando com ele, mas não viu ninguém. Ele procurou com a vista por todo o estabelecimento, até que enxergou um homem baixinho, franzino, sentado num canto escuro. Era um brasileiro.

O forasteiro, sem levar o “magricela“ realmente a sério, perguntou o que ele queria.

O brasileiro, ainda sentado no canto escuro, perguntou se ele teria coragem de repetir o que havia dito aos outros. Sorrindo e sem entender tamanha ousadia, o forasteiro repetiu:

<<Aqui ninguém é mais homem do que eu! Você discorda?>>

<<Sim, discordo, cara! Que história é essa? Quem você pensa que é? Peraí que já vou aí te mostrar!>>, respondeu o brasileiro, mas permanecendo sentado onde estava.

O forasteiro caiu na gargalhada e disse:

<<Então venha, pirralho. Estou aqui esperando!>>

O brasileiro levantou-se devagar, com a maior calma, ajeitou a roupa e tirou um cisco do sapato, depois começou a caminhar no estilo “gostosão” que só homem brasileiro sabe, cheio de ginga de sambista e capoeirista, dando umas piruetas bonitas, rodopiando e mexendo os ombros para lá e para cá, enquanto o forasteiro olhava incrédulo.

Nosso compatriota continuou caminhando lentamente, em passos de Martinho da Vila e com a graciosidade de uma onça pintada. Ao se aproximar do forasteiro, ocorreu o óbvio: levou um tapa, saiu voando para o outro lado do bar e caiu num canto com as pernas voltadas para cima.

Bom, desculpe se você esperava um final diferente, mas foi assim que a história terminou.

Moral da história: se homens de todo o mundo apanharam daquele sujeito enorme e forte, por qual razão isso seria diferente com o brasileiro? Só por ser brasileiro? Podemos ser tudo, gente, mas não somos melhores que ninguém 😉

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Sobre Gustl Rosenkranz 134 Artigos
Escrevo sem luvas porque tocar é importante.

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