Gustl Rosenkranz
Veganismo: ninguém é dono da verdade absoluta!
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Veganismo: ninguém é dono da verdade absoluta!

Sobre os exageros e até mesmo o fanatismo de certos militantes do veganismo que tentam impor suas escolhas a todas as demais pessoas como se somente eles estivessem certos e como se conhecessem a verdade absoluta.


Postei algo no Facebook criticando as excrescências/os desvios do veganismo (repare que critiquei os exageros – como criticaria em qualquer outro contexto – e não o veganismo em si).

Postei e fui criticado. Até aí, tudo bem, pois críticas fazem parte. Mas a forma como fui criticado não me agradou, pois fui atacado, o que disse foi classificado de besteira, até burrice eu estaria atestando. E o pior é que estava sendo atacado por coisas que eu nem havia dito em lugar ou momento algum!

Como se não bastasse o insulto, fui confrontado com muita arrogância: “eu sei do que estou falando, pois estudei sobre o assunto”, disse alguém, incutindo nessa afirmação que eu não pesquisei, não me informei e não sabia do que estava falando.

E a pessoa prosseguiu postando links e fazendo sugestões que iriam “abrir minha mente” e mudar minha opinião, numa postura que sugeria que “quem come tofu” seria um ser humano melhor de quem come carne (isso sem que ele nem soubesse se eu como carne ou não).

O que quem me criticou dessa forma nem percebeu é que estava confirmando exatamente aquilo que eu criticava: o exagero, o fanatismo, a argumentação intransigente, a falta de tolerância com quem pensa diferente e as invenções sem nexo, como ração vegana para cachorros, coxas de frango feitas de soja e outras coisas estranhas.

Esse não é um problema que atinge somente certos veganos, mas afeta atualmente muitos (talvez todos?) setores da sociedade. O radicalismo, a militância, a intolerância e até mesmo o fanatismo andam dominando nossos conflitos, nossas diferenças e nossa comunicação. Vejo isso em meios religiosos, em discussões políticas, nas mais diversas situações, mesmo naquelas sem grande importância – o que mostra que nem é necessário muito para ativar esse modo agressivo dos afetados.

Oras, não me importa a forma de cada um viver. Quer comer tofu, que coma! Que tomar sopa de pedras, que tome! Quer comer somente „super foods“ e gastar muito dinheiro com modismo, que o faça! E o churrasco? Ah, quer comer carne, bom apetite!

Sei que há muita coisa errada na forma que o mundo se alimenta, andamos destruindo tudo para nos alimentarmos de uma forma nada saudável (o que não faz muito sentido!), maltratamos bichos em criações em massa para comermos carnes baratas, nossas verduras e legumes andam contaminados com pesticidas, adubos químicos e outros horrores, desperdiçamos bastante e produzimos muito lixo (sempre com muito plástico), que nem eliminamos corretamente e termina parando na natureza, principalmente nos mares.

Então, nem acho que o ponto seja se como ou deixo de comer isso ou aquilo, mas os meus atos, a responsabilidade com a qual lido com a criação e os recursos naturais e a coerência com a qual vivo.

“Comer tofu” não transforma ninguém em superior, não o isenta de continuar questionando as coisas (também o próprio veganismo) e quem come tofu sem se importar de onde vem a soja não é nem um pouquinho melhor que quem come carne do mesmo jeito, sem pensar na origem de sua picanha, de seu frango ou de seu peixe. Comer vegetal não é necessariamente melhor para a natureza que comer carne, já que o mal que a comida faz depende também de onde vem o que se come. Muitos dos problemas ecológicos são causados por uma agricultura não sustentável, baseada em monocultura e muita química e não somente pelo consumo de produtos animais.

Precisamos parar com essa prepotência e precisamos de outra cultura de comunicação, com menos insultas, menos julgamentos, menos ataques contra quem pensa diferente. Simplesmente precisamos de mais respeito!

Precisamos (re)aprender a discutir de forma objetiva, argumentando sobriamente e deixando de lado as crenças, as superstições, os preconceitos, a vaidade, o orgulho e a necessidade de querer ter (sempre) razão. E precisamos aceitar que tem gente que pensa e vive diferente de nós e que isso é bom assim.

O que não precisamos é de fanatismo, de gente que acha que comeu a razão e que é só a própria posição que conta e que todo resto só fala besteira, não sabe o que diz e estaria preso em uma consciência errada só por pensar diferente. Não precisamos transformar qualquer movimento em „sagrado e indiscutível“, se comportando com uma intolerância de seita, se achando dono da verdade absoluta. E isso vale não somente para adeptos do veganismo, mas para todo mundo e para qualquer outro contexto em nossas vidas.

Sei que a imagem que acompanha este post provoca, mas é de propósito, pois jamais vou permitir que ninguém me proíba de criticar o que quer que seja. E ela vale para os veganos fanáticos aos que me refiro no texto, não para todos.

Se não gostou do que escrevo, então vamos discutir, mas, por favor, respeite que tenho o direito de ver as coisas diferentes de você e não venha dizer que estou falando besteira, pois não é assim que vejo sua opinião, mesmo que ela eventualmente não me agrade. Se você não for capaz disso, então nem vale a pena conversar

Gustl Rosenkranz

Escrevo sem luvas porque tocar é importante.

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