Gustl Rosenkranz
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Afinal, o nazismo é coisa de direita ou de esquerda?

o nazismo é de esquerda ou direita

Está em moda a discussão sobre se o nazismo é de esquerda ou direita, uma discussão que acho pouco produtiva e que não leva a lugar algum.


Tenho visto ultimamente muita discussão sobre o nazismo, com gente que se acha de esquerda supondo que o nazismo seria algo de direita e a turma que se acha de direita afirmando que seria de esquerda.

Repare que digo “que se acha” porque, ao ler ou escutar com calma o que dizem essas pessoas, tenho a impressão de que muita gente nem sabe direito do que está falando, discutindo sem entender o que significa ser de esquerda ou de direta. Muito mais me parece que os rótulos são virados, dobrados e esticados de acordo com o que convém a cada um no momento.

Mas, então, o nazismo é de direita ou de esquerda? Para mim (e para muitas cabeças ilustres deste mundo e gente que entende do assunto), o nazismo é claramente de direita, já que os próprios nazistas até hoje fazem questão de frisar que são de direita e odeiam quem é de esquerda.

Para quem não sabe (ou não quer saber!), Hitler e seus comparsas perversos perseguiam, maltratavam e matavam comunistas e qualquer um de esquerda.

Não vale a argumentação de que o nazismo seria de esquerda pelo fato do partido de Hitler ter se chamado “nacional-socialista”. Gente, se formos por nomes e rótulos, a Coréia do Norte seria uma democracia e no Brasil prevaleceria  “a ordem e o progresso”. Não, apesar do nome, o partido não era socialista (nem de esquerda!), mas sim perseguia quem era.

Esse tal de Bolsonaro, por exemplo, se diz de direita e discursa como um nazista, defendendo a exterminação de gente que ele acha que não tem lugar na sociedade (“bandido bom é bandido morto…”), persegue e insulta homossexuais, rejeita estruturas sociais e políticas que garantam igualdade de direitos para os cidadãos e quer instaurar no Brasil uma ditadura e um regime de intolerância e segregação, discurso não muito diferente do de Adolf Hitler.

Também na Alemanha, o partido de extrema-direita AfD discursa como nazistas, é claramente antissemita e defende as aberrações do “3.° Reich”. O mesmo vale para os partidos de extrema-direita na Áustria, na França, na Holanda e em diversos outros países: são nazistas afirmando eles mesmos que são de direita.

Agora, mesmo convicto de que o nazismo seja de direita, não acredito que as a extrema-esquerda seja melhor nos absurdos defendidos e praticados.  Monstruosidades, desumanidade e perversidade não são peculiaridades somente da extrema-direita: também a esquerda perseguiu, maltratou e matou muita gente, também ela entocou gente inocente em campos (que chamou “de trabalho” e não “de concentração”), também ela desrespeitou a dignidade humana para satisfazer necessidades e interesses de determinados grupos.

O que quero dizer é que, no fundo, essa discussão de “esquerda ou direita melhor” não faz sentido, pois, procurando com calma, constatamos coisas boas e ruins tanto em um lado como no outro.

Penso que qualquer ser humano que possua um mínimo de experiência de vida e de inteligência percebe rapidamente que extremos nunca são bons. Ou você já viu algum extremista com cara suave e feliz? Extremistas normalmente têm é uma cara enfezada, andam verbalmente “armados” e buscam o tempo todo o confronto e diminuir/desqualificar o adversário. Gente assim não é feliz. Extremista (seja de esquerda ou direita) não é feliz porque qualquer extremo desequilibra. Gente desequilibrada sofre e não tem espaço para a felicidade dentro de si. Essa gente prefere se ocupar ideias e ideologias e com o eterno combate de quem não concorda com ela.

Outro problema é que o extremista (seja de esquerda ou de direita) não busca o bem comum. Se buscasse, escutaria também os argumentos contrários aos seus, uma capacidade que ele, infelizmente, não tem. O que o extremista quer é impor seu ponto de vista, puxar a sardinha para sua rede e tentar conquistar vantagens para si e para os grupos de interesse que defende.

Quem busca o bem comum, busca o equilíbrio (das forças!) e procura, portanto, se mover mais próximo do centro, longe dos extremos (mesmo que tenha tendências para um ou outro lado) e aberto ao diálogo.

Espero que um dia vamos compreender isso e que não teremos mais necessidade dessa discussão (e dessa divisão) besta de “esquerda ou direita”, já que, no fundo, precisamos dos dois lados. Ou você já viu alguém andando equilibrado com uma perna só?

Repito: nazismo é coisa de direita, mas isso não quer dizer que a esquerda seja melhor. Tanto a esquerda como a direita pode ser boa até certo ponto (enquanto se move perto do centro) ou ruim a partir de certo ponto (quando se aproxima demais de algum extremo).

Gustl Rosenkranz

Escrevo sem luvas porque tocar é importante.

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