Apaixonado por palavras, viciado em escrever sobre a vida e tudo que a toca.

“Para que duas pernas saudáveis se há tantas mãos boas neste mundo para ajudar, não é mesmo?”, disse ela sorrindo e indo embora em seguida, leve e descontraída. Escutei isso e sabia que o que estava escutando era uma grande lição de vida.

Ela estava à minha frente na fila da padaria e comprou vários pães. O vendedor foi colocando o que ela pedia em sacos de papel e me perguntei como ela faria para transportar tudo aquilo, já que tinha as pernas deformadas e precisava de ambos os braços e das muletas para se manter em pé e se locomover.  Vi que tinha uma mochila nas costas, imaginei que queria colocar as compras lá dentro e resolvi perguntar se queria ajuda, mas ela foi mais rápida: olhou para mim, deu um sorriso e perguntou se eu poderia colocar as coisas na mochila para ela.

Foi com prazer que a ajudei, já consciente de que, naquele momento, estava recebendo bem mais do que estava dando. Ela era bem-humorada, de bem com o mundo, apesar da limitação física que a vida lhe impôs. Foi quando terminei de colocar as coisas que ela, sorrindo, disse

“Para que duas pernas saudáveis se há tantas mãos boas neste mundo para ajudar, não é mesmo?”

indo embora satisfeita, deixando-me pensativo e fazendo-me refletir sobre tanta gente neste mundo que reclama tão mais que ela, apesar de terem tão pouco motivo para isso. Lembrei-me de gente que se sente a maior vítima de tudo ou de todos quando tem um resfriado besta, uma dorzinha aqui ou ali ou qualquer probleminha não difícil de ser resolvido. Não que eu queira aqui diminuir a dor ou o problema de ninguém, longe de mim! Sei que o sofrimento de cada um só ele mesmo conhece. Só acho que muitas vezes exageramos na pena que sentimos de nós mesmos, assumindo rapidamente um papel de vítima, aumentando o tamanho da “bagagem a carregar”, fazendo-a bem maior do que realmente é, e, ao mesmo tempo, diminuindo a nós mesmos e evitando que enxerguemos as próprias capacidades. Isso nos limita, nos prende e nos faz perder a leveza, já que a carga de quem se vê como vítima sempre é bem mais pesada.

Fiquei feliz de encontrar essa mulher. Fez-me bem conhecê-la, fez-me bem me recordar que as coisas são bem mais fáceis e a carga fica bem mais leve quando caminhamos com um sorriso no rosto e enxergamos (também e de preferência principalmente) o lado bom da vida, quando aceitamos nosso fardo sem aumentá-lo, tentando tirar o melhor proveito da situação, e quando não esquecemos que sempre há um caminho, sempre há uma solução, mesmo que esse caminho ou essa solução não seja exatamente aquilo que esperamos, que gostaríamos que fosse.

Não é que um sorriso no rosto resolverá seus problemas. É preciso um pouco mais que isso. Mas uma postura positiva não só lhe abre portas e lhe ajuda em seus relacionamentos como também faz com que você se sinta melhor em sua pele, em seu corpo, lhe trazendo energia, ao invés de consumi-la, que é o que faz uma postura negativa. Não, um sorriso no rosto não resolverá seus problemas, mas ajuda muito. Em todos os sentidos.

Foi essa experiência que fiz hoje. E ela me fez bem. Resolvi escrever sobre ela porque talvez faça bem a você também 😉

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Categoria: Coisas da Vida

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