Gustl Rosenkranz
A qualidade de vida na Alemanha é melhor que no Brasil. Ponto.
Imagem: observatorio3setor.org.br
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A qualidade de vida na Alemanha é melhor que no Brasil. Ponto.

Pode ficar ofendido, dizer que eu tenho complexo de vira-lata, que não valorizo minhas raízes (como se eu fosse árvore!) e espernear o quanto quiser, mas nada disso mudará a realidade: a qualidade de vida na Alemanha é melhor que no Brasil e negar isso é sinal de má informação, de bairrismo infantil, de querer tapar o sol com a peneira e iludir a si mesmo.


Uma mãe vai com o filho pequeno à casa dos vizinhos. Ao saírem de lá, o filho pergunta à mãe porque a casa dos vizinhos é limpa e arrumada, mas a deles não. A mãe, ao invés de se envergonhar da realidade de dentro de sua casa, prefere responder que na sala dos vizinhos também tinha um vaso empoeirado.

Vejo muita gente se comportando exatamente assim. Basta um brasileiro, que vive no exterior e conheceu outra realidade, se indignar com a situação absurda e preocupante que predomina no Brasil para que ele seja atacado por gente com a mesma argumentação dessa mãe: ao invés de simplesmente admitir que a coisa em Tupiniquinlândia realmente não anda nada boa, eles começam a apontar erros de outros países e a supor que lá seria a mesma coisa.

Eu mesmo já estou bastante acostumado com isso, pois, toda vez que escrevo de forma crítica sobre o Brasil, há vários comentários de gente procurando algum “defeito” da Alemanha (onde vivo) para mostrar que aqui também há problemas (como se eu não soubesse disso!), alguns até sugerindo que a qualidade de vida por estas bandas seria tão ruim quanto ou até pior que no Brasil. Isso ocorreu mais uma vez recentemente, quando publiquei um texto sobre o choque que certos brasileiros sofrem ao chegarem em um lugar onde se comporta, em geral, com mais seriedade do eles estavam acostumados (link do artigo: Brasileiros no exterior e o choque da seriedade). Vi foi gente comentando que na Alemanha seria assim também, que eu estaria exagerando para rebaixar brasileiros, que eu estaria sofrendo de complexo de vira-lata e outras coisas desse tipo.

Confesso que não entendo bem os motivos por trás desse comportamento. Má informação? Bairrismo infantil? Necessidade de autoarfimação (o lugar onde vivo tem que ser bom de todo jeito para que eu me sinta melhor em minha pele…)? Vontade de tapar o sol e usar uma peneira para isso? Não sei. Só sei que isso não faz qualquer sentido, pois não nos leva a lugar algum. Ou alguém acredita que transformação é possível com base em delírio bairrista/nacionalista, orgulho besta e ilusão?

Fico triste com isso, pois, para mim, essa postura de negar a realidade e atacar quem busca falar do assunto é tão nociva para o Brasil quanto os próprios problemas que o país enfrenta. Pelo jeito, tem gente que acha que, para o Brasil melhorar, basta supor que está tudo bem, mas, francamente, não basta.

Escrevo sobre isso por estar cansado de ver o Brasil se autodegradando, se destruindo por dentro, com muita coisa entregue às traças e a políticos corruptos, com boa parte da população preferindo brigar entre si, gritar em igrejas estranhas, filosofar sobre a vida (dos outros), postar fotos de gatos na internet ou rebolar em alguma festa na esquina, ao invés de se levantar, se juntar para resolver os problemas e colocar os bandidos para correr.

O mais cansativo de tudo é que essas pessoas que atacam quem é crítico nem sequer se dão o trabalho de ler o texto (direito) e já saem agredindo o autor, muitas vezes (muitas vezes mesmo!) por coisas que ele nem disse. No texto sobre o choque da seriedade, por exemplo, não disse em frase alguma que a Alemanha e os alemães seriam perfeitos (algo que jamais diria, pois não seria verdade), mas fui atacado exatamente por isso, mesmo sem nunca tê-lo dito.

Não, os alemães não são perfeitos, como nenhum povo é. E a Alemanha não é nenhum paraíso, como nenhum outro lugar do mundo. E isso pode ser dito, claro, mas daí querer comparar as duas realidades, do Brasil e da Alemanha, e supor que seriam a mesma coisa não me parece um comportamento muito sano. Pode negar, xingar, ficar de calundu e espernear o tanto que quiser, mas nada disso mudará o incontestável. Sim, não é questão de gosto, não é uma questão de percepção subjetiva, é simplesmente uma realidade mensurável através de números e fatos: a qualidade de vida na Alemanha, como em muitos outros países, é melhor que no Brasil. Ponto. Não há o que discutir.

Ou você acha que é a mesma coisa poder sair de casa a qualquer hora do dia ou da noite sem medo de ser assaltado? (só lembrando: aqui também tem assalto, mas não é regra, a frequência é baixa e por isso não se tem medo!). Ou será a mesma coisa um político ter que renunciar ao cargo por causa de coisas que no Brasil seriam vistas como bagatelas, como um ex-Ministro da Defesa da Alemanha que teve que sair do cargo por ter levado a namorada em avião oficial sem cobrar dela a passagem? É realmente a mesma coisa?

Exemplos de diferenças entre os dois países é o que mais tem, em todos os setores, seja na segurança pública, na saúde, na infrastrutura, na educação, mas também na convivência, na paz social, no respeito pelo próximo e também por leis e regras.

O povo alemão não é superior, pois ninguém neste mundo é superior ou inferior, mas fato é que os alemães conseguiram construir nas últimas décadas um país altamente moderno, muito bem estruturado, eficiente e, o mais importante de tudo, com uma maior justiça social do que estamos acostumados a ver mundo a fora. Não é um país perfeito, mas é um país que funciona e que, por isso, é admirado por gente de todo o mundo.

Basta olhar para a situação do Brasil para perceber que não podemos dizer o mesmo de nosso pais, que anda politicamente mal, economicamente bloqueado e socialmente perdido.

Veja estas fotos:

qualidade de vida na Alemanha
Imagem: Correio da Bahia
Qualidade de vida
Imagem: programacidadania.com.br
Qualidade de vida
A realidade de mais de 100 milhões de brasileiros – Imagem: blogs.uai.com.br
Qualidade de vida
Imagem: Peter Kirilos/Globo. Segundo o site E-farsas.com, o policial da foto não foi punido, mas sim promovido,
Qualidade de vida
Imagem: Projeto de Ensino
Qualidade de vida
Imagem: Projeto de Ensino

Tratam-se de fotos de coisas comuns no Brasil, que se vê do Norte ao Sul. Pobreza, violência, abuso, descaso… Por que quis mostrar essas fotos? Porque elas mostram bem a diferença: todas essas 6 fotos mostram  cenas que seriam inimagináveis na Alemanha atual. Uma dessas fotos bastaria para gerar um escândalo e revolta em todo país. Já no Brasil, isso é tão rotina que muita gente já nem liga. Essas fotos mostram também que o Brasil “sangra” no básico, seus problemas são essenciais, como esgoto aberto nas ruas, gente pendurada em porta de ônibus, crianças passando fome, trabalho escravo e outras perversidades existenciais.

Bom, chegando ao fim, gostaria ainda de frisar que minha intenção não é falar mal do Brasil, mas deixar claro que tenho o direito de criticar e de apontar os problemas do Brasil, ciente que será sempre só uma parte da verdade, já que o país é muito grande e a situação muito complexa. Mas quis escrever, também para desabafar um pouco, já que é frustrante e até deprimente ver tanta gente mais preocupada com o vaso empoeirado na sala dos vizinhos do que com a bagunça e sujeira dentro da própria casa.

 

Gustl Rosenkranz

Escrevo sem luvas porque tocar é importante.

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  • Este é um óptimo artigo, o “brasileiro” animal imundo “sou eu um futuro ex-brasileiro” em 98,5% não lêem um único livro por ano e isto que estou a falar não se trata apenas da actual geração mas de outras mais antigas, não são capazes de compreender um texto, sem sentirem-se ofendidos ou constatar que os factos destes são reais ou não, se apegam a uma paixão animalesca a qual se iguala de uma vítima de sexual que se apaixona pelo seu molestador estes são os “brasileiros”.
    Mais uma vez enalteço o vosso artigo pois sábio és e não te preocupes com os cordeiros brasileiros, cordeiros foram feitos para serem assassinos de cenouras e lobos temidos, os cordeiros vão falar mal do lobo pois o sonho deste cordeiro é ser um lobo e nunca serão.

  • Moro na Alemanha (pela segunda vez) e já há dois anos. Só posso concordar com seu ponto de vista. Isso não significa que no Brasil não haja coisa boas também. E gente boa. Mas existe muito aproveitador, que só pensa no “próprio umbigo”, que quer “levar vantagem m tudo”.
    Parabéns pelo artigo.

Gustl Rosenkranz