Gustl Rosenkranz
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Sacerdotisa Maior

Este aqui foi tirado do fundo do baú!


Ao vê-la, perplexo
Senti o reflexo
Sem jeito fiquei
Senti-me um rei
Por ver a rainha
Sacerdotisa Maior
Senti-me menor
Por não ser minha
Tamanha beleza
Diante de mim
Senti-me desnudo
Desejo carnudo
De ser realeza
Sentindo-me enfim
No porto seguro
No colo, o dela
Mas eu em apuro
Por sonhar na espera
Pois apesar de maduro
Anseio desespera
Deixando-me com sede
Por não tê-la
Ficando a verdade
Restando a vontade
De um dia revê-la

Minha alma intranquila
Outro homem na fila
Pois me sinto mal
Decoro meu, anormal
Cavaleiro andante
Medieval
Digno, respeitei
Mesmo que sei
Era falso o rei
Rei de baralho
Querendo um atalho
Para ser feliz
Mas não disposto
A expor-se ao suposto
Achando-se grande
Sem perceber a farsa
De quem limite ultrapassa
Fazendo pressão
Apertando o coração
Da rainha minha
Fazendo-a correr
E se esconder
Medo de sofrer
Presa, sufocada
Por rei tão fominha
Quase vilão
Que não percebeu
Que não era deus
E que tamanha avareza
Não condiz com uma deusa
Nem verdadeira paixão

Agora tão longe
Sinto-me monge
Resguardado, pensativo
Bloqueado, inativo
Desejando uma verdade
Que mate a saudade
Saudade dela
Deusa cor de canela
Suas curvas perfeitas
Brilhando, sua alma
Que me acalma
Mas me inquieta
Deixando ereta
A vontade de voltar
Buscá-la, achá-la
E conquistar
A sua atenção
O seu coração
Saciando-lhe qualquer desejo
Dando-lhe tudo que vejo
Empacotando-lhe o mundo
Em papel de presente
Não sendo homem ausente
Mas diferente
Indo a fundo
Mas seguindo a lei
Respeitando o signo
Desejando ser digno
Do papel de rei
Imperador democrático
Que quer ao seu lado
Viver e crescer
Pela paixão habilitado
Sem amor fanático
Mas sim maduro
Brotando no presente
Andando consciente
Fartando o futuro
Coisa que juro
Se tiver a sorte
De não ver a morte
Mas o nascimento
O acontecimento
De algo tão lindo
Que seria vê-la rindo
Com a alma transbordando
Amor delicado
Nós dois, a dois
Em nuvens, sonhando
Praticando depois
Do que agora sou privado

A volta está prevista
Pois não me basta a revista
O pensar no passado
Já que sossego não tenho
Logo de novo venho
Com Don Quixote aposentado
Desta vez como Cabral
Navegador, conquistador
Quase animal
Disposto à aventura
Enfrentando o mar
Buscando a brandura
Querendo amar
Voltar e abraçar
A sua doçura
Louco e livre serei
Disposto a ser rei
Sem querer ser dono
Mas sentando no trono
Brilhando ao seu lado
Como quem lá sempre esteve
Feliz, aclamado
Do povo a franqueza
Por ter sido escolhido deus
Do lado de uma deusa

Gustl Rosenkranz

Escrevo sem luvas porque tocar é importante.

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